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Filho de oficial faz revelações surpreendentes sobre a Operação Prato

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Um dos episódios mais contundentes e importantes da Ufologia Brasileira, a secreta Operação Prato (OP), desenvolvida pela Força Aérea Brasileira nos anos de 1977 e 1978, na região Norte do Brasil, acaba de ganhar um novo personagem. Depois da bombástica entrevista do comandante da OP, Coronel Uyrangê Hollanda, que trouxe uma nova dimensão à história, e, mais recentemente, das curiosas afirmações do piloto civil Ubiratan Pinon Frias, que chegou a participar de algumas ações desenvolvidas pelos militares, eis que surge em cena Fernando Costa, filho do sargento João Flávio de Freitas Costa, cuja assinatura autentica a maioria dos relatórios e documentos produzidos pela operação.
Flávio Costa faleceu em 1993, vítima de um acidente vascular cerebral (AVC), a despeito das teorias conspiratórias que mais tarde se construiriam em torno de sua partida. E foi para acabar com essas teorias que Fernando Costa procurou o blogueiro e editor do site “Ceticismo Aberto”, Kentaro Mori, com a intenção de contar – e documentar – a versão da família para os fatos. Mori convidou o Portal/Revista Vigília para a realização de uma entrevista conjunta, ao filho do oficial, por e-mail, e o resultado foi surpreendente.
A Operação Prato deixou de ser um assunto restrito aos meios ufológicos quando o Coronel Uyrangê Bolívar Soares Nogueira de Hollanda e Lima resolveu, em 1997, tornar pública sua existência e o fato de ter sido seu comandante. Os relatos (e relatórios) sobre manifestações luminosas que estavam aterrorizando moradores de regiões no Pará e Maranhão, produzidos por militares destacados para apurar o que estava provocando o fenômeno, ganharam espaço na imprensa nacional e internacional.
A visibilidade ampliada e a mobilização da comunidade ufológica acabaram forçando, anos mais tarde, a Força Aérea Brasileira a admitir a existência da operação, mesmo que numa clara tentativa de minimizar sua importância, atribuindo sua realização a “interesses pessoais” – algo no mínimo improvável em se tratando de uma ação denominada oficial, e executada em pleno regime militar.
Agora, o relato de Fernando Costa dá detalhes dos bastidores da Operação Prato, da realidade de falta de recursos, da forma como os protagonistas se relacionavam com o tema e com quais hipóteses seu pai, então um sargento graduado em meteorologia, trabalhava para tentar compreender o fenômeno.

Flávio Costa foi o autor de quase todos os relatórios, desenhos e fotografias da “Operação Prato”. Além de estrategista, ainda teria ajudado a convencer o próprio Uyrangê Hollanda, comandante da operação, de que lidavam com algo desconhecido de fato. Como encara, hoje, o papel de seu pai naquela polêmica operação?

Fernando: Analisando hoje, eu posso enxergar um homem dividido entre as convicções pessoais (com uma parcela de misticismo), muito entusiasmado com a ufologia e um militar “caxias”, zeloso pelo cumprimento das suas missões, que tinha que se ater a relatórios reais, com bases científicas .

Você nos contou que seu pai era um apaixonado pela ufologia. Ele chegou a contar alguma história sobre o tema?

Fernando: Para os mais íntimos, ele sempre estava contando estórias ou histórias, sei lá. Tinha algumas teorias: associava a ocorrência de fenômenos ufológicos a falhas geodésicas. Falava de uma falha que vinha desde o planalto central até Colares (PA) e que a grande maioria dos fenômenos observados por ele se situava nessa linha. Apesar disso, não descartava a possibilidade de tais fenômenos serem experimentos das grandes potências, com vetores ultra-secretos ainda em fase de testes. Não podemos esquecer a semelhança da ilustração de um avistamento na região de Santarém, com os (hoje conhecidos )caças STEALTH.

Os relatórios de seu pai são detalhados em suas descrições dos avistamentos, das condições do tempo a inúmeros mapas e diagramas. Ele tinha formação como meteorologista, não?

Fernando: Ele era meteorologista graduado pela Escola de especialistas da Aeronáutica. Podemos notar, abaixo da assinatura,que, além do posto, consta a sigla QMT, designando a especialidade. Apesar de não ter concluído a escola de pilotagem no Aeroclube do Pará, também pilotava monomotores.

Ele chegou a comentar como entendia o fenômeno OVNI, e o Chupa-chupa em particular?

Fernando: Ele sempre colocava impressões pessoais de uma forma bastante convicta e detalhista, com muita empolgação e com uma dose de misticismo. Quando se tratava de FATOS relacionados com a atividade militar, só comentava até os limites em que o seu senso de dever permitia. Raramente, ele deixava vazar detalhes mais secretos da suas atividades. Depois que ele já estava na reserva, nos almoços de domingo, depois de algumas doses, eu conseguia “arrancar” algumas coisas. Acho que no principio da OP ele ficava bastante angustiado com a dificuldade de recursos para obtenção de provas. Eu cheguei a ver fotos de três círculos, harmonicamente dispostos em forma triangular, impressos no capim, como se fora queimado. Ele contou que foi atestada radioatividade nessas marcas. Para ele, isso representava a impressão do pouso de uma nave. Eu não vi, em nenhum dos relatórios a que tive acesso, qualquer referência ou comentário de tal foto.

E você, viu algo na época? Lembra-se de como o fenômeno foi divulgado pela mídia e como as pessoas o recebiam então?

Fernando: O fenômeno Chupa-Chupa tomou um grande espaço na mídia local, gerando, inclusive, atrito entre os militares e uma parte da imprensa. Existem relatos em que o então Capitão Hollanda invadiu a redação de um jornal e confiscou fotos relacionadas com a OP. Eu, particularmente, não tinha interesse no assunto, tanto que eu sempre escapava das vigílias quando era convocado. Estudar era sempre uma boa desculpa. A minha mãe foi em diversas ocasiões e é citada, inclusive numa das listas de testemunhas dos relatórios.

E como foi participar, de certa forma, pessoalmente da Operação?

Fernando: Hoje, eu vejo até de uma forma interessante. Na época era um horror. Ser filho de militar, principalmente de um “sargentão” não era tarefa das mais fáceis. Como tal, eu tinha que andar sempre “na linha”, não me envolver com política estudantil e ser um aluno exemplar. Eu cursava o segundo grau e estava terminando um estágio no Banco do Brasil no qual passei (em Brasília) numa excelente colocação. O meu pai fazia de tudo para me direcionar para a carreira militar, (concursos das academias militares etc) pois sabia que eu tinha potencial para passar. Eu sempre repudiei tal possibilidade, pois eu considerava já ter “servido” durante toda a minha vida e feito todos os treinamentos possíveis, com direito a ordem unida, manuseio de armas, sobrevivência na selva. Noções de navegação, aviação, aeromodelismo e outras. O meu coração me indicava o caminho das ciências humanas e sociais (que, mais tarde, acabei cursando). O conflito entre gerações e ideologias ficou bastante acirrado, porém mantendo um nível respeitoso na medida do possível. Durante o período da OP, foi montado, com equipamento do I COMAR, um laboratório de revelação fotográfica no quartinho de empregada da nossa casa, na Vila Militar. A minha participação na revelação de algumas fotos da OP foi imposta por ele: “Era melhor eu estar aprendendo uma profissão em casa, que estar aprendendo coisa que não presta, na rua”. Hoje eu posso entender, mas, para um adolescente, aquilo gerou uma imensa revolta. Enquanto eu revelava as fotos no quartinho, ele ficava na sala, redigindo relatórios desenhando muitas das ilustrações da OP. Nesse período, a raiva acabou vencendo a razão e eu passei a “sacanear”, ampliando qualquer ponto luminoso impresso no filme, que ficasse parecido com um “disco voador”. Depois, algumas dessas fotos vazaram (não sei de que forma) e eu ria muito quando eu tinha notícias de publicações delas em livros de Ufologia. Eu dividia o motivo da risada apenas com alguns amigos mais chegados.

Alguma das imagens que viu ou manipulou lhe marcou? Alguma história ou elemento especialmente memorável que poderia partilhar?

Fernando: Tem uma que todos nós achávamos a melhor, e que andou lá pela casa da minha mãe e que não sei que fim levou. Os objetos nos filmes em que eu manipulava eram quase sempre esféricos ou cilíndricos. Porém, havia uma foto de um objeto que se assemelhava a uma arraia marinha. Essa não foi revelada por mim, mas, de fato, impressionava bastante.

Em um dos relatórios redigidos por seu pai, ele lamenta a falta de recursos e confessa que a evidência acumulada não podia sustentar as conclusões a que haviam chegado a respeito dos fenômenos serem “inteligentemente dirigidos”. Hollanda também comentou como comprou filmes para registros com o próprio dinheiro. Seu pai comentou algo sobre a precariedade de recursos?

Fernando: Ele comentava as dificuldades iniciais com o equipamento para registro fotográfico. Só a partir de uma maior repercussão do tema em questão, é que eles receberam uma melhoria de recursos. Penso que a posição de BSB (Nota do Editor: Brasília) era bastante cética (embora tenha mandado alguns observadores), o que deixava os membros da OP um pouco frustrados. Como um observador militar, ele ficavam muito impressionado com a capacidade de manobras bruscas dos OVNIs , que, segundo ele, transgrediam as possibilidade de mudança de deslocamento dos vetores conhecidos.

O falecido jornalista americano Bob Pratt também investigou o fenômeno Chupa-chupa, e teria mesmo se tornado amigo do comandante, Uyrangê Hollanda. Hoje também sabemos que seu pai recebeu treinamento militar nos EUA. Como vê essas sugestões de um grande envolvimento e interesse americano na Operação Prato?

Fernando: Eu percebia nos comentários do meu pai uma enorme desconfiança em relação ao “gringo” (Pratt). Desde que voltou de um curso no exterior, ele nutria um certo xenofobismo. Estava sempre fotografando e catalogando integrantes de missões religiosas, que ele dizia serem agentes estrangeiros que levavam para fora do país todas as informações possíveis sobre a grande riqueza do mundo (Amazônia). Assim, mesmo, eu li que ele chegou a viajar com o sr. Bob Pratt. Volta e meia havia a presença de observadores civis, entusiastas de ufologia, ligados a aviação civil. Alguns até colaboradores efetivos da OP, como o fantástico sr. Pinon. Porém, no caso do sr. Pratt, Eu não acredito que um capitão e um sargento tivessem autonomia para introduzir um estrangeiro numa operação considerada tão secreta. Eu sempre tive a impressão que a imposição do Sr. Pratt veio bem mais de cima. Havia outro estrangeiro também, o Padre Alfredo de La Ó ,que, se não me engano,era pároco da região de Colares (PA), e que mais tarde colaborou bastante com os serviços de informações em outras questões políticas, tão comuns aqui na região. Eu ouvi comentário de meu pai, onde ele suspeitava que o padre fosse agente da CIA.

Depois de trinta anos, os fenômenos e a Operação voltaram a chamar a atenção do público com a produção do programa “Linha Direta” da TV Globo sobre o tema. No rastro desse interesse renovado, alguns envolvidos passaram a fazer novas declarações, como Ubiratan Pinon, que fez alegações fantasiosas sobre o falecimento de seu pai, não?

Fernando: As alegações são fantasiosas e muito mentirosas. Este senhor sempre foi chegado às estórias fantásticas. Conheço gente que já ouviu ele contar que presenciou o boto que virou gente, lá na Ilha do Marajó… Enquanto ele ficava só nas lendas e mitos amazônicos, tudo bem. Acontece que ele fez declarações mentirosas a uma publicação especializada em ufologia sobre a morte do meu pai, que por sua vez, não teve empenho suficiente em apurar a versão da família e dos médicos do Hospital da Aeronáutica, que atenderam meu pai. Será que a equipe médica que atendeu o meu pai era incompetente a ponto de não perceber um “implante colocado pelos alienígenas”. A família que cuidou da higiene pessoal dele após o AVC, não teria percebido. Ele alegou ter ido à nossa casa após a morte do meu pai, e atribuiu declarações falsas a minha mãe. No início de janeiro de 1993, o SO R/R Flávio sofreu um AVC. Ficou hospitalizado no Hospital da Aeronáutica de Belém por cerca de um mês. Como resultado do AVC, ficou hemiplégico à direita e também perdeu a fala. A partir da alta médica, a família o levou para casa, contratou uma fisioterapeuta particular e cuidou dele, inclusive dando banho, fazendo toda a higiene pessoal, e fazendo curativos, pois a longa permanência no leito do hospital o deixou com algumas escaras. A esposa e os filhos o examinavam detidamente, logo, teriam percebido qualquer “algo” estranho. O atestado de óbito, firmado pelo Dr. José Luiz Carvalho, indica PARADA CÁRDIO RESPIRATÓRIA, INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO E ACIDENTE VASCULAR CELEBRAL como causa mortis. O Sr. Ubiratan Pinon deve ter sofrido alguma espécie de mutilação mental que o levou a fazer tais afirmações.

Qual sua opinião sobre a forma como os eventos estão sendo abordados hoje? E por fim, o que pensa sobre o chupa-chupa e a Operação Prato?

Fernando: A ocorrência de um fenômeno estranho é inegável. Atingiu uma parcela da população da Amazônia. Mesmo sabendo que os nossos nativos são muito chegados a mitos e lendas, fica difícil negar as ocorrências esquisitas. Porém, algumas afirmações teriam que ser mais responsáveis. Os “teóricos da conspiração” de plantão, adoram descobrir chifres em cabeças de calango. Foi assim, com a morte do meu pai, foi assim com a morte do Hollanda, foi assim com os balões japoneses da Segunda Guerra destinados a causar incêndios nos EUA e outras centenas de “causos”. Às vezes, alguns acreditam tanto nas baboseiras que ajudam a construir, que omitem fatos que podem derrubar os mitos por eles criados.
Mesmo com a morte de alguns membros da Operação Prato, a facilidade de comunicação que hoje temos nos permite uma melhor capacidade de investigação, mais apurada, mais responsável. Quando a nossa família descobriu e se indignou com a matéria publicada com as afirmações absurdas do Sr. Pinon, eu resolvi procurar e conversar com um dos oficiais da Operação. Mesmo num país com centenas de milhares de municípios, eu levei apenas três dias investigando e consegui um contato telefônico. Com a ajuda da internet e de alguns telefonemas, localizei quem eu procurava. Vale ressaltar que em alguns raros momentos atuo de jornalista, em uma revista especializada na minha área. Sou um profissional do Áudio. Escrevo sobre alguns eventos cuja complexidade da sonorização pode parecer interessante aos leitores. Mas jornalismo investigativo nunca foi a minha área.
Com um pouquinho de inteligência, boa vontade e perspicácia, a gente consegue. Há que se ter responsabilidade com os leitores!

[Nota do editor – última alteração: 22/10/2007, 19h30.]

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