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Programa secreto do Pentágono mostra que EUA continuam estudando OVNIs

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Prédio do Pentágono, que manteve projeto secreto para investigar OVNIs pelo menos até 2012
Prédio do Pentágono, que manteve projeto para investigar OVNIs pelo menos até 2012 (Foto: David B. Gleason de Chicago, IL/Wikipedia)

A existência de um programa do Pentágono para investigação de OVNIs e tecnologia potencialmente extraterrestre, revelada pelo jornal New York Times na semana passada, continua repercutindo nos noticiários do mundo todo. Chamado Programa de Identificação de Ameaças Aeroespaciais Avançadas (ou AATIP, do original Advanced Aerospace Threat Identification Program), o projeto consumiu 22 milhões de dólares do orçamento da defesa dos Estados Unidos, de 2007 a 2012, quando supostamente foi encerrado. Supostamente porque, segundo as fontes ouvidas pelo New York Times, mesmo sem financiamento específico, os agentes envolvidos na pesquisa continuam operando o mais recente Arquivo X estadunidense paralelamente a outras funções.

A reportagem do tradicional periódico tratou de esclarecer os passos desde a criação da iniciativa e identificação dos personagens, mas de fato passou ao largo das minúcias do projeto, suas intenções e descobertas. Tanto que um segundo artigo, assinado por um dos autores do texto original, Ralph Blumenthal, acabou sendo publicado, explicando o processo de aprovação da matéria pela direção do jornal até sua publicação, com a condição de não haver fontes anônimas.

O relato da existência do programa foi feito em primeira mão, por quem o concebeu e operou. A iniciativa nasceu a pedido do senador democrata Harry Reid, ex-líder da maioria, com apoio de outros dois senadores, membros do subcomitê do orçamento da Defesa, o republicano do Alaska, Ted Stevens, e Daniel K. Inouye, democrata do Havai. Stevens morreu em 2010 e Inouye em 2012. Reid foi principal responsável por garantir o financiamento ao AATIP.

Em primeira mão, os jornalistas do Times falaram também com dois líderes do projeto, Luis Elizondo e Christopher Mellon. Elizondo, diretor do programa, demitiu-se do Departamento da Defesa em outubro passado. Segundo ele, foi em protesto com aquilo chamou de “sigilo e oposição excessiva” à volta do programa. Saiu para trabalhar na “To The Stars Academy Of Arts and Sciences” (Academia Rumo às Estrelas de Ciências e Artes) – empresa co-fundada por Tom DeLonge, antigo músico dos Blink-182, que investiga “ciências e tecnologias exóticas”.

Enquanto estava no Pentágono, Elizondo diz que não estava muito interessado na origem dos objetos voadores, mas sim na tecnologia que eles usam. “Eu não sei de onde eles vêm, mas tenho certeza de que não é daqui. Não importa se estão sendo pilotados por russos, chineses, homenzinhos verdes de Marte ou o cachorro do vizinho. O que nos interessa é a ciência bruta e o potencial de ameaça dessas coisas”, declarou numa entrevista. Para ele “existem evidências suficientes a partir desses fenômenos aéreos não identificados, que mostram a existência de tecnologias exóticas que poderiam revolucionar a experiência humana”.

Vídeo de encontro com UFO investigado pelo Pentágono

Junto com as bombásticas declarações dos ex-participantes do projeto, o Times falou também com David Fravor, ex-piloto da Força Aérea americana, que relatou um episódio ocorrido em novembro de 2004. Ele e outro piloto, com seus caças F/A-18 Super Hornet, perseguiram “uma aeronave em tons brancos, de formato oval, com cerca de 12 metros de extensão”. O vídeo do encontro, liberado pelo Departamento de Defesa dos EUA, foi publicado na página do Times.

Os caças foram acionados por um operador da Marinha, a bordo do navio U.S.S. Princeton, no Pacífico, na área de San Diego, que notificou sobre as atividades de uma aeronave misteriosa que há duas semanas aparecia eventualmente no radar. O objeto, segundo o relato, era detectado a cerca de 24.000 metros de altura e eventualmente pairava sobre o mar a 6.000 metros de altura antes de desaparecer. Ao se aproximarem com suas aeronaves e avistarem o objeto, ele “acelerou de uma forma que nunca havia visto”, disse Fravor.


Vídeo liberado pelo Departamento de Defesa dos EUA que registra a tentativa de perseguição de caças F/A-18 Super Hornet a um OVNI

As perguntas que não foram feitas

Grande parte da atenção da imprensa – e do próprio New York Times – no programa concentrou-se no destino dos US$ 2 milhões que teriam financiado o projeto: a maior parte foi para a empresa do bilionário do setor aeroespacial, Robert Bigelow, que mantém contatos com a Nasa e crê na existência de extraterrestres. Sua companhia foi responsável por investigar e produzir documentos a partir de relatos e vídeos que davam conta da existência de OVNIs e por fazer avaliações dos riscos representados pelos objetos.

O fato é que desde o Projeto Blue Book, nos EUA da década de 60, programas secretos para investigação de UFOs não são exatamente uma grande novidade. Por isso que, desta vez, é curioso que justamente na parte mais interessante da história, as perguntas do Times e dos demais veículos de imprensa foram frustrantemente muito mais comedidas: os ex-oficiais da Defesa, senador e o próprio Bigelow garantem que as verbas custearam atividades como adaptações na planta da companhia do bilionário em Las Vegas para armazenar e estudar metais e outros materiais recolhidos de Objetos Voadores Não Identificados. Assim como estudar pessoas que afirmaram ter efeitos físicos de encontros com esses objetos. Onde estão esses materiais? O que eles provam? Que descobertas os Estados Unidos fizeram a partir deles?

Embora o Pentágono tenha oficialmente admitido, através de uma nota, a existência do programa até 2012, essas perguntas ainda estão sem respostas. E para pontuar a importância dessas respostas, nada melhor que a comparação feita por Harold E. Puthoff ao Times (Puthoff é um engenheiro que trabalhou para a CIA numa polêmica pesquisa sobre percepção extrassensorial e depois foi contratado para AATIP): “Estamos um pouco na posição do que aconteceria se você desse a Leonardo da Vinci um abridor de porta de garagem. Em primeiro lugar, ele tentaria descobrir o que é esse material plástico. Ele não saberia nada sobre os sinais eletromagnéticos envolvidos ou sua função”.

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