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Afinal, o asteroide Oumuamua é ou não é uma nave extraterrestre?

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Representação artística do asteroide Oumuamua. Por ESO/M. Kornmesser
Representação artística do asteroide Oumuamua. Por ESO/M. Kornmesser

Primeiro objeto de origem interestelar a ser observado em nosso Sistema Solar, o asteroide Oumuamua intriga os cientistas com características incomuns. Ele tem formato alongado, em forma de charuto, com medidas que variam segundo a fonte da estimativa: cerca de 80 metros de diâmetro e entre 180 e 400 metros de comprimento.

Quando um grupo de cientistas chegou a cogitar que poderia se tratar de uma nave extraterrestre, estranhamente quase ninguém se lembrou do livro “Encontro com Rama”, publicado pelo famoso escritor de ficção científica Arthur C. Clarke em 1972. Na história de Clarke, a humanidade também se depara com um gigantesto cilindro enviado por alienígenas para apresentar uma irrecusável proposta à Terra.

Bem, talvez os cientistas do projeto Breakthrough Listen, que conta com Stephen Hawking como padrinho, de fato tenham se lembrado da história, quando anunciaram que apontariam o telescópio Robert C. Byrd Green Bank, em West Virginia, em busca de emissões eletromagnéticas incomuns provenientes do estranho corpo celeste. O Breakthrough Listen é uma parte do chamado Breakthrough Iniciatives, criado com a finalidade de buscar evidências da existência de vida inteligente em outros lugares do Universo. A escuta, por enquanto, aparentemente não produziu resultados muito surpreendentes. Nos dados inicialmente divulgados – que abrangem uma bem pequena parte do total do espectro captado pela iniciativa – não foram detectadas emissões suspeitas.

Uma nave extraterrestre sim, mas não como você pensou

Um estudo publicado na revista “Nature” sugere que o asteróide Oumuamua pode sim ser uma espécie de nave interplanetária alienígena. Mas não como os entusiastas da vida extraterrestre inteligente ou da Ufologia imaginariam. Segundo o estudo da Universidade Queen de Belfast, no Reino Unido, uma crosta seca evitou que a água contida em seu interior evaporasse em sua passagem perto do Sol.

O grupo internacional de especialistas, liderado pelo professor Alan Fitzsimmons, mediu a forma como Oumuamua reflete a luz solar e descobriu que é similar à de objetos gelados cobertos com uma crosta seca. Isso se deve ao fato de este objeto interestelar estar a milhões, senão bilhões de anos, exposto aos raios cósmicos, o que criou na sua superfície uma camada isolante organicamente rica de meio metro de espessura. A pesquisa sugere que tal crosta poderia ter protegido a água em seu interior gelado da evaporação, apesar de o objeto ter passado a apenas 37 milhões de quilômetros do Sol e alcançado temperaturas superiores a 300 graus.

“Descobrimos que a superfície de Oumuamua é parecida com a de outros pequenos corpos do Sistema Solar que estão cobertos de gelo, rico em carbono, cuja estrutura se vê modificada pela exposição aos raios cósmicos”, explicou Fitzsimmons na nota. O objeto interestelar tem a mesma cor que alguns planetas menores gelados na periferia de nosso Sistema Solar. Ou seja, esse visitante pode mesmo estar carregando, além de água em seu interior, compostos orgânicos criados ao longo de milhões ou bilhões de anos de exposição à radiação.

Visitante até 2022

O misterioso Oumuamua foi descoberto em 19 de outubro de 2017. Inicialmente foi chamado C/2017 U1, porque foi presumido como um cometa, mas foi renomeado para A/2017 U1 depois que nenhuma atividade cometária foi encontrada.

Depois que sua natureza interestelar foi confirmada, foi renomeado para 1I/’Oumuamua: “1” porque é o primeiro desse tipo de objeto astronômico a ser descoberto; “I” para interestelar e “‘Oumuamua'”, que é uma palavra havaiana que significa “um mensageiro de longe que chega primeiro”.

De acordo com as observações, alcançou a velocidade máxima de 315 mil km/h. Atualmente encontra-se a 295 milhões de km do Sol, entre as órbitas de Marte e Júpiter. Astrônomos acreditam que ele seja da constelação de Lyra e abandonará nosso Sistema Solar em 2022.

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