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Objetos nos céus de Campinas continuam sem explicação definitiva

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Continua um mistério a origem dos fenômenos luminosos que durante os últimos cinco meses geraram controvérsias na metrópole interiorana de Campinas, no Estado de São Paulo. Os fenômenos, acompanhados por centenas de testemunhas, foram registrados em vídeo por diversos moradores e geraram grande repercussão na imprensa local.

Para os ufólogos que estão acompanhando o caso, não há dúvidas: Objetos Voadores não Identificados visitaram a cidade, a despeito da opinião de um astrônomo local, que garante tratar-se de um balão.

As observações começaram no dia 29 de novembro. Desde então, diversos grupos de Ufologia locais vêm se debruçando sobre a questão. Um dos primeiros foi a Equipe Valinhense de Estudos Ufológicos (EVEU), de Valinhos. O comerciante e desenhista free-lance Fábio Eduardo Vieira (22), juntamente com o presidente da entidade, Rodrigo Wili Betin (25), já têm em seu poder seis fitas de cinegrafistas amadores que registraram o fenômeno em datas diferentes.

Segundo Vieira, em breve estas fitas serão encaminhadas para análise. Mesmo assim, o grupo já tirou sua conclusão. “A apresentação dessa luz é completamente diferente de qualquer outro veículo espacial que conhecemos”, garante Rodrigo. “Com base nas descrições das testemunhas e nos vídeos que obtivemos nas filmagens amadoras desde 29 de novembro, minha conclusão final é que realmente trata-se de um Óvni. A possibilidade de ser um balão ou um planeta foi descartada, pois a maioria dos relatos que temos, inclusive o depoimento de um piloto comercial que chegou a observar o objeto do alto, descreveu-o como atingindo uma velocidade vertiginosa”, completa Vieira.

Esta avaliação não está baseada apenas na experiência de campo do EVEU. Outros grupos regionais, como o Grupo Ufo-Gênesis, o Centro de Estudos e Investigações Alienígenas (CEIA) e entusiastas da Ufologia de Campinas que atuam em conjunto, como é o caso dos estudantes Igor Capelatto e Ed Wanger Júnior, acumulam depoimentos e registros em vídeo.

Uma dessas filmagens foi tomada logo após o encerramento do 1º Congresso Internacional de Ufologia de Campinas, realizado de 16 a 18 de março. Na viagem de volta, vários participantes do evento puderam acompanhar as exibições de misteriosas luzes nos céus. O pesquisador Edson Boaventura Júnior, presidente do Grupo Ufológico do Guarujá (GUG), filmou as manobras utilizando a câmera do outro ocupante do carro em que viajava como carona, o também pesquisador de São Paulo, Rodolfo Heltai. Por volta das 22h30, e durante cerca de 40 minutos, eles observaram atônitos uma luz de grande intensidade que às vezes apagava e parecia liberar objetos menores (veja matéria).

O vídeo foi encaminhado para a análise do engenheiro Claudeir Covo, presidente do Instituto Nacional de Investigação de Fenômenos Aeroespaciais (INFA). “Na realidade foram filmadas três luzes distintas. Quando pararam o carro para observar melhor, logo depois o UFO soltou duas sondas que desceram até o solo, enquanto o Rodolfo Heltai não conseguia abrir o porta-malas do carro para pegar a filmadora. Infelizmente esse detalhe não foi filmado”, escreveu ele em relatório que divulgou nas listas de discussão sobre Ufologia na Internet.

O relatório segue dando detalhes das luzes. “A primeira luz filmada é aparentemente esférica, branca e pulsava muito, na freqüência de quatro a cinco pulsos por segundo. Isso descarta um avião. A segunda luz imaginei ser um avião vindo de frente e depois virou e caminhou já próximo da linha do horizonte, da esquerda para a direita. Também é aparentemente esférica e tem uma cor branca avermelhada. A hipótese de ser um avião acaba ficando pobre, pois o tempo todo caminhando próximo ao horizonte a intensidade luminosa permanece igual, sendo que no caso de um avião, a partir da visualização lateral e lentamente por detrás a luminosidade vai reduzindo até não mais ser visto”.

Por fim, o especialista chama a atenção para o terceiro objeto da filmagem: “a terceira luz é a mais interessante. Quando o cinegrafista acompanhou a segunda luz pela linha do horizonte, aparecem diversas luzes, aparentemente no solo ou próximo a ele, o que pode ser luzes de ruas ou casas. O cinegrafista, retornando com a câmara, acabou parando em uma dessas luzes aparentemente esférica e também branca avermelhada. Ela se destacava das demais. Em um certo instante, uma pequena sonda, também aparentemente esférica e avermelhada, vai saindo pelo lado direito, na horizontal; pára e retorna para a luz de onde saiu. Esse ponto é excelente”, exclama.

Muitos relatos

Desde o dia 29 de novembro de 2000 os moradores de Campinas estão curiosos com as estranhas luzes noturnas. Naquela data, milhares de pessoas viram um objeto que efetuou manobras durante meia hora no céu da cidade. Na época, um astrônomo local, Júlio Lobo, opinava para o jornal Diário do Povo que “Nesta época é comum vermos Vênus principalmente porque ele está extremamente luminoso. Por outro lado, pode ser um meteoro, um balão. Não dá para dizer com precisão o que é, mas dá para arriscar nestes dois planetas”, referindo-se a Júpiter e Vênus. No entanto, o astrônomo Cláudio Corsini, do Planetário do Museu Dinâmico de Campinas, que testemunhou o fenômeno, garantiu não se tratarem de astros. “Eu observei por 20 minutos e a conclusão é que alguém resolveu pregar uma peça soltando um balão com gás hélio. Tenho certeza de que não era o Planeta Vênus (conhecido como estrela Dalva) porque naquele momento ele estava em outra localização”, afirmou Corsini, ao mesmo jornal.

A Vigília entrou em contato com o ufólogo Osvaldo Mondini, observador experiente que durante 23 anos fez parte do Centro de Estudos e Pesquisas Exológicas de Sumaré (CEPEX, atualmente desativado), e na opinião dele nenhuma das duas hipóteses – balão ou fenômeno celeste – explica a aparição. Ele foi testemunha ocular do objeto, da janela de seu apartamento, no 4º andar de um prédio no centro da cidade. “Dentro da minha experiência, não foi uma trajetória compatível com a de um balão. O vento era forte e constante naquela noite, e o tempo estava chuvoso. Um balão àquela altura dificilmente ficaria parado tanto tempo quanto aquilo ficou”, destacou.

No dia 21 de dezembro de 2000, pouco menos de um mês depois da primeira aparição – com uma diferença de uma hora para o horário de avistamento anterior (que havia sido das 21h às 21h30) – a história se repetiu. Entre 22 e 22h30, moradores de vários bairros viram uma luz branca que piscava o tempo todo e parecia deslocar-se de forma pouco comum, sendo seguida de luzes menores que saiam em direção ao solo.

Na mesma noite, poucas horas depois duas testemunhas das evoluções do objeto contaram sua experiência na sala de bate-papo “Vigília UFO Chat”: a estudante J.M.S. (17), moradora de Jd. Santana, e “Brad” (17), estudante morador do bairro Santa Genebra. Ambos, no entanto, pediram que suas identidades não fossem reveladas.

A polêmica sobre balões

O céu sobre Campinas, na noite de 21 de dezembro, estava parcialmente encoberto. E este fato seria, mais tarde, a base da argumentação do astrônomo Júlio Lobo, do Observatório Municipal de Campinas (Observatório de Capricórnio), para defender a tese de que o objeto visto dias depois, em 1 de fevereiro, tratara-se na realidade de um balão. Novamente, centenas de pessoas viram, incluindo o astrônomo, que diz ter feito uso de uma luneta. Em sua opinião, o céu nublado cumpriria o propósito premeditado de mascarar a luminosidade da tocha do balão – portador de luzes estroboscópicas – causador da polêmica. Daí todos os avistamentos terem ocorrido sob esta condição de tempo.

Mas o Observatório de Capricórnio, onde estava o astrônomo naquela noite, fica relativamente distante da cidade, já no Distrito de Sousas, há algumas dezenas de quilômetros do centro da cidade.

Naquela mesma noite, o leitor “Eric C. R.”, morador do bairro Jd. Guarani, na região central de Campinas, acompanhado de seu pai e seu irmão, viu algo impressionante, que não coincidiu exatamente com a descrição do astrônomo. E com uma diferença ainda mais importante: registrou em vídeo o fenômeno, sob céu absolutamente limpo; segundo suas palavras, “de brigadeiro”.

“Observando pelo binóculo, pude notar que o objeto tinha forma de circunferência e ficava absolutamente imóvel e inerte. As luzes se movimentavam ao redor deste objeto. Observei esta luz no Leste da cidade de Campinas às 21h20, e por 15 minutos. Este objeto sumiu repentinamente. Pude observar que as luzes no momento de sua partida começaram a diminuir de intensidade. No entanto, no local de onde elas saíam ficavam ‘brasas’ que sumiam em questão de 3 ou 4 segundos”, relatou Eric.

A reportagem da Vigília esteve em Campinas e obteve uma cópia da filmagem de Eric, encaminhada para a análise do engenheiro Ricardo Varela, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Ex-chefe do setor de balões do instituto, Varela ressaltou que pela falta de referências fixas dificilmente seria possível tirar outras conclusões acerca do objeto. “Mas balão não era”, descartou.

Depois de ver a tese do astrônomo publicada, muitos leitores que testemunharam as aparições entraram em contato com a Revista Vigília para protestar. “Como é que pode um balão deste porte não ser visto, nem mesmo a sua tocha? Até balões pequenos, destes comprados em lojas de fogos, são facilmente visualizados. Portanto, a afirmação de que o objeto visto por boa parte da cidade era um balão, é uma ofensa à nossa inteligência”, escreveu o morador Roberto Fernandes. Técnico em eletrônica, Fernandes explicou ainda que uma bateria para alimentar tais lâmpadas deveria ser no mínimo uma automotiva de 56 amperes, pesadas demais para um balão de pequeno porte que pudesse ser ocultado.

Depoimentos ainda mais intrigantes

A despeito da polêmica sobre a possibilidade de ter se tratado de um balão, há depoimentos ainda mais intrigantes acerca das luzes de Campinas. É o caso, por exemplo, do relato obtido pela EVEU, de um piloto que confirmou ter visto o OVNI durante um vôo noturno no dia em que tudo começou, 29 de novembro. Temendo represálias, ele pediu que sua identidade fosse mantida em segredo.

Igualmente curioso foi o depoimento publicado pelo jornal local Corrieio Popular do dia 1º de dezembro, onde a fonte foi identificada apenas como “um especialista em aviação civil”. Segundo o informante, testemunha ocular da primeira ocorrência, “o objeto avistado na noite de quarta-feira era voador, capaz de se deslocar numa velocidade impossível para os parâmetros de teconologia terrestre conhecida”. Segundo o jornal, ele revelou que as autoridades aeronáuticas teriam registrado o objeto, ao contrário do que foi oficialmente divulgado na imprensa.

Tendo recebido vários telefonemas nas noites de avistamentos, a Torre de Controle de Viracopos limitava-se a repetir a informação de que nada anormal havia nos radares. Mesmo assim, cuidadosamente tomava o depoimento dos curiosos observadores que entravam em contato.

Um desses observadores gravou sua conversa com a torre. Com a garantia de não ter seu nome divulgado, mostrou a fita à Vigília. O diálogo é bastante previsível até o momento em que um dos operadores vira-se para um colega e avisa que vai anotar a informação. Entendendo mal, o colega exclama, em tom preocupado: “não, não tem informação para passar não!”.

Fruto de uma política de sigilo ou simplesmente da inexistência da informação, o fato é que durante os avistamentos circularam rumores, alimentados pelos jornais locais, de que a presença dos objetos na região pode ter causado até mesmo o atraso de vôos com destino a Viracopos. A Infraero – Empresa Brasileira de Infra Estrutura Aeroportuária – negou qualquer anormalidade, mas segundo publicou o jornal Correio Popular, funcionários do setor teriam revelado que uma aeronave Varig, num vôo de carga proveniente de Miami, nos Estados Unidos, com previsão para pousar em Viracopos às 21h45 do dia 29 de novembro, não chegou.

Seja como for, a atividade ufológica em Campinas parece, neste momento, ter se reduzido, e junto com ela também perdeu um pouco do fôlego a curiosidade da comunidade Ufológica nacional para a região. A exceção fica por conta dos grupos locais, que continuam trabalhando no levantamento dos dados. Curiosamente, o último grande avistamento aconteceu justamente no dia 18 de março desse ano, data do encerramento do primeiro congresso internacional de Ufologia na cidade. Um espetáculo que dificilmente outro evento poderá oferecer aos seus participantes. A não ser, talvez, com alguma ajuda do outro mundo…

1 COMENTÁRIA

  1. Eu ví esse negócio, não dá pra esquecer e afirmo com toda certeza e com testemunhas, que não era um balão, nem o planeta Venus, muito menos fenomeno celeste!!Era um ovni, grande, bem proximo!! uma luz muito clara que se movia, como num disco….caia dele uma espécie de luz líquida, e foi embora lateralmente em alta velocidade!!!

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