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A Física das Civilizações Extraterrestres

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hsette

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Mensagem Qua Mai 10, 2006 12:27 am

A Física das Civilizações Extraterrestres

O Dr. Michio Kaku (http://www.mkaku.org/) é um dos mais renomados físicos teóricos da atualidade, e co-criador da Teoria de Campos de Corda, um ramo da Teoria das Supercordas. Em 1973 ele tornou-se membro da Universidade de Princeton. Atualmente ele é professor da City University of New York. Autor de vários artigos técnicos envolvendo a Teoria das Supercordas, a Supergravidade, Supersimetria e Hádrons, seus estudos atualmente se concentram na Teoria de Tudo, uma unificação da Física Quântica e da Relatividade, o grande sonho de Einstein e de todos os físicos.
Além da Física Teórica, ele se dedica ao estudo da possibilidade da existência de civilizações extraterrestres tecnologicamente evoluídas, tendo publicado diversos artigos sobre o assunto:

A Física das Civilizações Extraterrestres
A Física das Viagens Interestelares
A Física da Viagem no Tempo
O Hiperespaço e a Teoria do Tudo
Buracos Negros, Buracos de Minhoca e a a Décima Dimensão
Hiperespaço: Uma Odisséia Científica

Tais artigos podem se encontrados, em inglês, no link:
http://www.mkaku.org/articles/

Fiz a tradução do primeiro deles, A Física das Civilizações Extraterrestres, que passo a postar em seguida.
Em função do tamanho, irei dividir a postagem.
Poderemos ir discutindo à medida que o faço.
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hsette

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Mensagem Qua Mai 10, 2006 12:33 am

A Física das Civilizações Extraterrestres
Quão avançadas elas poderiam ser?
Por Michio Kaku

1ª. Parte

Em seus últimos anos, Carl Sagan fez, em uma ocasião a seguinte pergunta: “Que significa para uma civilização ter a idade de um milhão de anos? Nós obtivemos radiotelescópios e naves espaciais há apenas umas poucas décadas; nossa civilização técnica tem apenas umas poucas centenas de anos... Uma civilização avançada de milhões de anos está muito mais longe de nós do que nós estamos de um pequeno arbusto na forma de um símio”.

Ainda que qualquer conjectura sobre tais civilizações avançadas seja só uma especulação, penso que podemos usar as leis da Física para estabelecer os limites superiores e inferiores destas civilizações.
Em particular, agora que as leis no campo da Teoria Quântica, Relatividade Geral, Termodinâmica, etc., estão bastante bem estabelecidas, a Física pode impor amplos limites físicos os quais restringem os parâmetros destas civilizações.
Esta pergunta não vai mais além de uma frívola especulação. Dentro de pouco, a humanidade pode sofrer um choque existencial quando a atual lista de uma dezena de planetas extra-solares do tamanho de Júpiter cresça a centenas de planetas do tamanho da Terra, gêmeos quase idênticos de nosso lugar celeste.
Estamos iniciando o uso de uma nova classe de telescópio, O telescópio espacial de interferometria, o qual usa a interferência de os raios de luz para amplificar O poder de resolução de os telescópios.
Por exemplo, a Missão de Interferometria Espacial (Space Interferometry Mission o SIM) consta de múltiplos telescópios situados ao largo de uma estrutura de 10 metros. Com uma resolução sem precedentes aproximando-se do limite físico da óptica. O SIM é tão sensível que quase desafia a imaginação: orbitando a Terra, pode detectar o movimento de uma lanterna agitada por um astronauta em Marte!
O SIM, ademais, pavimentará o caminho para o Buscador de Planetas Terrestres (Terrestrial Planet Finder), que deverá identificar ainda mais planetas similares a Terra. Este poderá analisar as 1.000 estrelas mais brilhantes em um raio de 50 anos luz desde Terra e se centrará nos 50 a 100 sistemas planetários mais brilhantes.
Tudo isto estimulará um esforço ativo em determinar se algum deles pode albergar vida, talvez alguns com civilizações mais avançadas que a nossa.
Ainda que seja impossível predizer as características exatas de tais civilizações avançadas, podemos analisar seus limites usando as leis da Física. Não importa quantos milhões de anos nos separem deles, eles devem obedecer também às leis “de ferro” da Física, as quais estão já o bastante avançadas para explicar muito, desde as partículas subatômicas até a estrutura em enorme escala do Universo.

A Física das civilizações de Tipo I, II, e III
Em concreto, podemos classificar as civilizações por seu consumo de energia, usando os seguintes princípios:

1) As leis da termodinâmica: inclusive uma civilização avançada está limitada pelas leis da termodinâmica, especialmente pela Segunda Lei, e pode, portanto ser classificada pela energia de que dispõe.

2) As leis da matéria estável: a matéria bariônica (baseada em prótons e nêutrons) tende a reunir-se em três grandes agrupamentos: planetas, estrelas e galáxias. Isto está bem definido pelo produto da evolução galáctica e estrelar, fusão termonuclear, etc.

3) As leis da evolução planetária: qualquer civilização avançada deve incrementar seu consumo de energia mais rapidamente que a freqüência de catástrofes que ameacem a vida (por exemplo, impactos de meteoritos, glaciações, supernovas, etc.). Se crescem mais lentamente, estão condenados à extinção. Isto marca O limite inferior para a taxa de crescimento de estas civilizações.

Em um artigo original publicado em 1964 no Journal of Soviet Astronomy, o astrofísico russo Nicolai Kardashev teorizou que as civilizações avançadas devem estar agrupadas de acordo com três tipos: Tipo I, II, e III, as quais chegaram a dominar as formas de energia planetária, estrelar e galáctica, respectivamente. Kardashev calculou que o consumo de energia destes três tipos de civilização estariam separados por um fator de muitos milhares de milhões. Porem, que tempo levará alcançar a situação de Tipo II e III?.

O astrônomo de Berkeley Don Goldsmith nos recorda que a Terra recebe ao redor de uma bilionésima parte da energia do Sol, e que os humanos utilizam só uma milionésima parte desta. De modo que consumimos ao redor de uma trilhonésima parte da energia total do Sol. Na atualidade, a produção energética total de nosso planeta é aproximadamente de 10 trilhões de ergs por segundo. Porém nosso crescimento energético aumenta de forma exponencial, e, portanto podemos calcular quanto nos levaria alcançar a situação de Tipo II ou III.

Goldsmith disse: “Veja quão longe chegamos no uso da energia uma vez que compreendemos como manipular, como obter combustíveis fósseis e como criar energia elétrica a partir da força da água, e assim sucessivamente; temos aumentado nosso uso de energia em uma quantidade extraordinária em apenas um par de séculos comparado com os milhares de milhões de anos de existência de nosso planeta... e da mesma forma poderia isto se aplicar a outras civilizações”.

O físico Freeman Dyson estima que, em um prazo não maior do que 200 anos, deveríamos alcançar plenamente a situação de Tipo I. Deste modo, crescendo a uma modesta taxa de 1% por ano, Kardashev estimou que levaríamos 3.200 anos para alcançar a situação de Tipo II, e 5.800 anos a situação de Tipo III.

Por exemplo, uma civilização de Tipo I é plenamente planetária, dominou a maioria de formas de energia de seu planeta. Sua produção de energia pode estar em ordem de milhares de milhões de vezes a produção atual de nosso planeta. Mark Twain disse uma vez: ”Todo mundo se queixa do clima, porém ninguém faz nada para mudá-lo“. Isto poderia mudar com uma civilização de Tipo I, a qual tenha suficiente energia para modificar o clima. Também teriam suficiente energia para alterar o rumo de terremotos, vulcões, e construir cidades nos oceanos.

Atualmente, nossa produção de energia nos qualifica para o estado de transição do Tipo 0 para a consolidação do Tipo I. Derivamos nossa energia não do aproveitamento de forças globais, mas da combustão de plantas mortas (por exemplo, petróleo e carbono). Porém, já podemos ver as sementes de uma civilização de Tipo I. Vemos o começo de uma linguagem planetária (Inglês), um sistema de comunicação planetário (Internet), uma economia planetária (a força da União Européia, por exemplo), e inclusive os começos de uma cultura planetária (meios de comunicação, TV, música rock, e cinema).

Por definição, uma civilização avançada deve crescer mais rápido que a freqüência de catástrofes que ameacem a vida. Como o impacto de um grande meteorito ou cometa tem lugar uma vez a cada poucos milhares de anos, uma civilização de Tipo I deve dominar a viagem espacial para desviar os escombros em um lapso de tempo que elimine o problema. As glaciações têm lugar em uma escala temporal de dezenas de milhares de anos: então civilização de Tipo I deve aprender a modificar o clima dentro deste marco temporal.
Editado pela última vez por hsette em Qui Mai 11, 2006 5:07 pm, em um total de 2 vezes.
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Latorre

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Mensagem Qui Mai 11, 2006 10:18 am

Fantástico, Humberto! Fantástico!

...alcançar plenamente o Nível I de conhecimento e utilização de energia, antes de grandes catástrofes como glaciações e grandes meteoros, para que essas possam ser resolvidas. 6.000 anos para alcançarmos o Nível III.

Parece viável! :D

Sugestão, parceiro: por gentileza poste o texto do autos em outra cor, para que diferenciemos facilemente seus comentários (em branco) e dos outros foristas, dos fragmentos do texto original (em outra cor).

Peço também aos demais foristas que não usem outras cores em seus posts, especificamente para este tópico. (Viu, Eddy??;))
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hsette

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Mensagem Qui Mai 11, 2006 3:55 pm

Outro risco, além dos naturais, é o da auto-extinção. Infelizmente, entre nós humanos, isso parece sempre estar à espreita.
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hsette

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Mensagem Qui Mai 11, 2006 5:15 pm

A Física das Civilizações Extraterrestres
Quão avançadas elas poderiam ser?
Por Michio Kaku

2ª. Parte

As catástrofes artificiais e internas devem ser também levadas em conta. Porém o problema da contaminação global é só uma ameaça mortal para uma civilização de Tipo 0; uma civilização de Tipo I que tenha vivido durante vários milênios como civilização planetária, necessariamente leva a cabo um desequilíbrio planetário em nível ecológico. Os problemas internos supõem uma ameaça séria recorrente, porém têm milhares de anos de existência nos quais podem resolver conflitos raciais, nacionais e sectários.

Finalmente, depois de vários milhares de anos, uma civilização de Tipo I esgotará a energia de um planeta, e derivará sua energia do consumo da completa produção de energia de seus sóis, ou aproximadamente mil bilhões de trilhões de ergs por segundo.

Com sua produção de energia similar a de uma pequena estrela, deveriam ser detectáveis desde o espaço. Dyson propôs que uma civilização de Tipo II poderia inclusive construir uma gigantesca esfera ao redor de sua estrela para usar de forma mais eficiente a produção de energia total. Desde o espaço exterior, seu planeta brilharia como um árvore de Natal. Dyson inclusive propôs buscar especificamente emissões de infravermelho (mais que as de rádio e TV) para identificar estas civilizações de Tipo II.

Talvez a única ameaça séria para uma civilização de Tipo II seria a explosão próxima de uma Supernova, cuja súbita erupção poderia chamuscar seu planeta com um fulminante jorro de Raios-X, matando todas as formas de vida. Desta forma, talvez a civilização mais interessante é a de Tipo III, por ser verdadeiramente imortal. Esgotaram a energia de uma estrela individual, e então alcançaram outros sistemas estelares. Nenhuma catástrofe natural conhecida pela ciência é capaz de destruir uma civilização de Tipo III.

Para enfrentar uma Supernova vizinha, teriam distintas alternativas, tais como alterar a evolução da gigante vermelha moribunda que está à beira de explodir, ou abandonar esse sistema estelar e terraformar um sistema planetário diverso.

Sem dúvida, há limites para uma civilização emergente de Tipo III. Finalmente, se chocaria com outra das “leis de ferro” da Física, a Teoria da Relatividade. Dyson estima que isto poderia ser um obstáculo para a transição a uma civilização de Tipo III de talvez milhões de anos.

Porém, mesmo com a barreira da velocidade luz, há um número de caminhos para expandir-se a velocidades próximas à da luz. Por exemplo, a última medida da capacidade dos foguetes se toma mediante algo chamado “impulso específico” (definido como o produto do empuxo e a duração, medidos em unidades de segundos). Os foguetes químicos podem alcançar impulsos específicos de várias centenas a milhares de segundos. Os motores iônicos podem obter impulsos específicos de dezenas de milhares de segundos. Porém para obter velocidades próximas à da luz, se deve alcançar um impulso específico de aproximadamente 30 milhões de segundos, o qual está muito longe de nossa capacidade atual, porém não para uma civilização de Tipo III. Uma variedade de sistemas de propulsão poderia estar disponível para sondas de velocidade extremas (tais como motores de fusão, motores fotônicos, etc.).

Devido a que a distância entre estrelas é tão enorme, e o número de sistemas solares não aptos para a vida seja tão grande, uma civilização de Tipo III se encontraria com o seguinte dilema: Qual é a forma mais eficiente de forma matemática para explorar as centenas de milhares de milhões de estrelas da galáxia?

Na ficção científica, a busca de mundos habitáveis tem sido imortalizada por heróicos capitães que comandam valentemente uma solitária nave estelar, ou como os assassinos Borg, uma civilização de Tipo III que absorve uma menor civilização de Tipo II (como a Federação). Sem dúvida, o método matematicamente mais eficiente para explorar o espaço é bastante menos glamouroso: enviar flotilhas de “sondas Von Neumann” através da galáxia (chamadas assim em homenagem a John Von Neumann, que estabeleceu as leis matemáticas dos sistemas auto-replicantes).

Uma sonda Von Neumann é um robô desenhado para alcançar sistemas estelares muito distantes e criar fábricas que reproduziriam cópias de si mesmas aos milhares. Uma lua morta é um destino ideal para uma sonda Von Neumann, muito mais que um planeta, devido a que se pode aterrissar e se lançar mais facilmente delas, e também devido a que estas luas geralmente não apresentam mais problemas de erosão. Estas sondas viveriam do solo, usando os depósitos naturais de ferro, níquel, etc., para criar a matéria prima com o que construiriam uma fábrica de robôs. Criariam milhares de cópias de si mesmos, com o qual poderiam dispersar-se e seguir a busca em outros sistemas estelares.

De forma similar a como um vírus coloniza um corpo com um tamanho de várias vezes o seu, finalmente teríamos trilhões de sondas Von Neumann expandindo-se em todas direções, crescendo a uma fração da velocidade da luz. Desta forma, inclusive uma galáxia de 100.000 anos-luz de tamanho poderia ser completamente analisada em, digamos, meio milhão de anos.

Se uma sonda Von Neumann só encontra evidências de vida primitiva (tais como uma inestável e selvagem civilização de Tipo 0) simplesmente permaneceria na lua, esperando em silêncio que a civilização de Tipo 0 evolucione a uma civilização estável de Tipo I. Depois de esperar pacientemente durante alguns milênios, se ativariam quando a emergente civilização de Tipo I seja o bastante avançada para estabelecer uma colônia lunar. O Físico Paul Davies da Universidade de Adelaide propôs a possibilidade de que uma sonda Von Neumann descansou em nossa lua, numa visita prévia a nosso sistema há milhares de anos atrás.
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lulu

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Mensagem Qui Mai 11, 2006 10:18 pm

A grande questão é: De onde se extraem tanta energia? O funcionamento dos ufos não deixa dúvidas que os ets consomem muita energia, mas de onde?

Será que a tal free energy existe mesmo?

Nosso futuro será demarcado daqui a 40 anos quando o petróleo acabar. Se conseguirmos sair dos combustíveis atuais: gás, petróleo, álcool, hidrelétricas e energia atômica e encontrarmos outra fonte não poluente a abundante, então nosso espaço no futuro estará mais certo, caso contrário, regrediremos.
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hsette

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Mensagem Qui Mai 11, 2006 11:16 pm

Pode-se pensar que à medida que avançam, vão explorando novas fontes de energia.

Mas no caso dos UFOs em deslocamentos de longos percursos, temos qui o que pode ser uma pista.

Depto. Física UFBA: http://www.fis.ufba.br/dfg/pice/ff/ff-07.htm
O assunto ainda é controverso, mas quem sabe...

(...)
“O que determina a estrutura do espaço e tempo no universo? De acordo com a teoria da relatividade geral de Einstein, as propriedades geométricas do espaço estão relacionadas à densidade de energia (e momento) no universo. Para entender a estrutura do espaço-tempo, portanto, precisamos identificar fontes potencialmente relevantes de energia e avaliar suas contribuições para a densidade total de energia (e momento). As fontes de energia mais óbvias que vêm à mente são a matéria e radiação ordinárias. Uma fonte de energia muito menos óbvia que pode ter um impacto enorme na estrutura do universo é o próprio espaço vazio: o vácuo.
A noção de que o vácuo pode ser uma fonte de energia pode parecer contra-intuitivo. Mas as teorias atuais de partículas elementares e forças não só permitem uma densidade não-nula de energia do vácuo, como também sugerem fortemente que ela deva ter um valor grande.
(...)


A famosa "energia de ponto zero".
Ou a tal "free", como disse o Lulu.
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Latorre

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Mensagem Sex Mai 12, 2006 11:20 am

Primeiramente, esse nunca me pareceu muito consistente essa idéia de que "tendemos a autodestruição". Claro, somos uns cretinos egoístas que destruímos o meio e o que quer que seja em prol de nossas míseras vidinhas de nem um século. Mas não creio que consigamos extingui a raça humana. A vida sempre acha um meio. A inteligente, mais ainda. Já tivemos vários exemplos de possível destruição (Guerra Fria, etc). No fim, sabemos que é besteira. ninguém faz. E se fizer, uma parte sobrevive. É uma lei natural.

Bem, mas voltemos ao texto (surpreendente também). Confesso que achei esse um tanto mais mirabolante que o primeiro, mas bastante, bastante interessante mesmo. Ênfase para a matemática das sondas e os "planetas brilahntes como árvore de natal".

Tive (e tenho) grande dificuldade em conceber o esgotamento dos recursos naturais de um planeta, para uma civilização avançada. Lu, vc tem o cerebro de mais alta quantidade de processamento simultâneo do fórum: me ajude: Partindo-se do pressuposto que combustíveis fósseis são coisa do passado (que na minha opinião já deviam ter sido abandonados), e hidroelétricas e energia eólica são limitadas, nos sombram ainda a energia dos compostos vivos (biodigestores; já usamos isso), e que a energia nuclear aproveita a energia de 1 átomo(!); COMO poderíamos ficar sem energia? Só se a população mundial aumentasse vertiginosamente, a ponto de não existir centímetro desabitado na crosta... certo?

Gente... acho que num futuro não muito distante, vamos tirar anergia até dos gases intestinais que exalamos por aí... Então, eu devo estar cometendo um enorme erro de cálculo/estimativa sobre a quantidade de energia que usaremos... pois a quantidade que podemos produzir, me parece grande demais para poder ser sobrepujada pelo consumo.
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Britan

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Mensagem Sex Mai 12, 2006 11:45 am

Também concordo que com o avanço da civilização nunca vamos esgotar recursos energéticos apenas vamos mudar a maneira como tais são concebidos, caminhar para a auto-destruição é possivel neste momento com uma guerra mundial, embora acredite que tal não venha a acontecer, só uma situação de caos absoluto o faria acontecer
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lulu

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Mensagem Sáb Mai 13, 2006 3:45 pm

Gustavo Torre escreveu:

Partindo-se do pressuposto que combustíveis fósseis são coisa do passado (que na minha opinião já deviam ter sido abandonados), e hidroelétricas e energia eólica são limitadas, nos sombram ainda a energia dos compostos vivos (biodigestores; já usamos isso), e que a energia nuclear aproveita a energia de 1 átomo(!); COMO poderíamos ficar sem energia? Só se a população mundial aumentasse vertiginosamente, a ponto de não existir centímetro desabitado na crosta... certo?



Acho que podemos ficar sem energia logo logo e não é necessário aumentar o número de habitantes do planeta em nem mais uma alma. Por partes:

1) Petróleo: já sabem que está no fim, não preciso nem mencionar;
2) Hidrelétricas: No Brasil ainda temos cerca de 25% só de capacidade instalada, mas elas geram pouca energia para o mundo do futuro e criam prejuízos enormes para a natureza, desde a extinção de peixes até a modificação climática sem contar os problemas sociais para os ribeirinhos e o montão de postes e fios pelas ruas;
3) Gás natural: segue a sina do petróleo;
4) Urânio: ainda que indesejável, temos minério abundante, mas também acabam.

Se considerarmos que desde que o carvão passou a ser extraído para combustível, houve uma dilapidação enorme das reservas até que o petróleo ocupou seu lugar e em apenas mais 40 ou 50 anos estaremos esgotando essa fonte de energia, ou seja, o petróleo da Terra deu para só 150 anos, então quantos anos mais podemos esperar para esgotar o urânio? Uns 300? Ou seja, em menos de 1.000 anos desde que iniciou a revolução industrial, estaremos esgotando todas as fontes de energia não renováveis do planeta. Resta o sol e as plantas, mas a menos que ocorra uma revolução tecnológica inimaginável de como se extrair energia do sol e das plantas, eles não farão muita festa. A competição por energia será ferrenha.

Acho que, a menos que se descubra de fato como extrair energia do vácuo, teremos que desenvolver muito a tecnologia em aproveitar a energia que temos, pois de uns anos para cá, nossos equipamentos estão cada dia mais gastões, se não vejamos:

Computadores: provavelmente o computador que você usa gasta 10 vezes mais energia que o de 10 anos atrás. Os antigos gastavam pouca energia, mas a busca desesperada por mais capacidade de processamento, mais imagens, mais memória e mais vídeo, elevou o consumo absurdamente de um equipamento comum em nossas vidas;

Geladeiras: Tudo bem que as antigonas gatavam bastante, mas depois que o consumo baixou para aceitáveis 30 KW/h, ninguém mais quer comprá-las e agora todos querem ter as de gelo seco que gastam pelo menos 50% mais;

Máquinas de lavar roupa: antes, 4 kg já era uma boa máquina, agora, todos querem as de 8kg a despeito das famílias serem menores. Mais quilos, mais gasto de eletricidade e água;

Carros: todo mundo apreciava um fusquinha 1.300 com seus 46 CV e apenas 110 km/h de velocidade máxima. O Corcel era um carro médio desejado com seu poderoso motor de 1.400 CC, 72 CVs e 130 km/h de velocidade máxima. O Opala com 90 CV e 150 km/h de máxima era um luxo. Agora, os populares com apenas 1.000 CC entregam de 55 (Uno e Pálio)a 112 CVs (Gol Turbo) e na média 70 CVs (Pálio, Corsa, Celta), nãos são mais suficientes, mesmo que atinjam de 150 km/h (Uno, Pálio, Celta, Fiesta) a 160 km/h (Gol 16 V, Clio, Peuget 206). Querem veículos com 140 CVs (Civic, Corola, Vectra) e os pequenos precisam ser 1.600 cc com pelo menos 110 CV. Claro que o consumo aumenta e ao invés de um carro com bons 18 km/litro como o Corsa, Celta e Uno, temos os grandões que não passam de 10 km/l ou 12 km/l, ainda que mais econômicos que os Opalas, gastam muito e são desnecessários, principalmente se considerarmos que nossas estradas são limitadas a 120 km/h. E isso não ocorre só no Brasil. Na Alemanha só se vê BMWs, Mercedes e Audis com 6 cilindros, onde antes predominavam os Golfs. Na França, os pequenos Renauts cederam lugar aos luxuosos e potentes Citroen C-5 e outros de sua categoria. Nos Estados Unidos então, os Suvs é que fazem sucesso com motores V8 e a incrível média de 1 km/l. Ainda nos Estados Unidos, temos propostas tentadoras de redução de consumo, como o Honda Civic com dois motores, 1 elétrico e outro a gasolina que funcionam alternadamente e rendem a incrível média de 30 km/l.

Pelo menos em algum lugar no mundo alguém está pensando em reduzir o consumo:

Vejam aqui: http://www2.uol.com.br/bestcars/un9/226-11.htm

Mas tudo isso é pouco ainda. Mesmo que a história do Hélio 3 lunar seja verdadeira, ainda que encontremos um meio de extrair sua energia, nos próximos 30 anos acho que entraremos de cabeça na verdadeira era nuclear e provavelmente a principal vista de sua cidade será uma enorme e ameaçadora usina nuclear como Springfield no desenho animado Holmer Simpsons.


http://www.aneel.gov.br/64.htm

http://www.aneel.gov.br/69.htm

http://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_usinas_hidrel%C3%A9tricas_do_Brasil

http://www.bbc.co.uk/portuguese/pulltogether/s_energia.shtml

http://www.greenpeace.org.br/energia/

http://www.tierramerica.net/2004/0626/pacentos.shtml
Editado pela última vez por lulu em Sáb Mai 13, 2006 9:44 pm, em um total de 1 vez.
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Mensagem Sáb Mai 13, 2006 4:24 pm

Em primeiro lugar, também concordo com todos que a auto-destruição também não é uma sina inescapável, apesar de beirarmos a ela às vezes.

Apesar de tudo, confio em algum mínimo de bom-senso da humanidade. :D


Lulu, muito bom seu texto. 8)

Outro detalhe sobre a energia nuclear proveniente de materiais radioativos é farta, porém os riscos envolvidos são muitos.

O Hélio 3, de fato, é um ótimo caminho: também energia nuclear, porém sem o uso de material radioativo. O pouco do resíduo que resta é desprezível.

E por último, um outro bom exemplo no uso racional de energia elétrica, e que indica o abandono dos combustíveis fósseis:

A Suécia quer poder viver sem ter de usar petróleo em um período de 15 anos - e sem construir outras instalações nucleares.

Um comitê formado por industriais, acadêmicos, fabricantes de automóveis, fazendeiros e outros profissionais está à frente da iniciativa.

A intenção é substituir combustíveis derivados de petróleo com fontes renováveis antes que o aquecimento do planeta afete a economia e a crescente escassez da fonte de combustível fóssil leve a aumentos ainda maiores de preço.

De acordo com o jornal britânico The Guardian, a ministra sueca do Desenvolvimento Sustentável, Mona Sahlin, acredita que a dependência do petróleo poderia acabar em 2020.

Recessão

A Academia Real de Ciências sueca está preocupada com o abastecimento de petróleo, que poderia estar chegando ao seu máximo e preços cada vez maiores poderiam causar uma recessão econômica global.

"Nossa dependência deve acabar em 2020", disse Sahlin.

Em entrevista ao The Guardian, ela disse que "deve sempre haver alternativas para o petróleo".

"Nenhuma casa deve depender de geradores a óleo para aquecimento e nenhum motorista deveria ter somente gasolina para abastecer seu carro."

O país escandinavo, que foi duramente atingido pela crise de petróleo na década de 70, hoje em dia depende basicamente de energia nuclear e hidroelétrica.

O comitê do petróleo deve se reportar ao parlamento dentro de alguns meses.

Altos funcionários do Ministério da Energia da Suécia esperam que o comitê recomende maior desenvolvimento de biomassa, com uso das florestas do país. De acordo com um dos funcionários do ministério, "queremos estar mentalmente e tecnicamente preparados para um mundo sem petróleo".

Também se espera que o comitê recomende mais geração de energia eólica e de uso da energia produzida a partir das ondas do mar.

BBC Brasil
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Latorre

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Mensagem Dom Mai 14, 2006 11:28 am

Suecia... que inveja...
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Mensagem Dom Mai 14, 2006 11:31 am

Tem razao, Lu... nao tinha imaginado desta forma os nossos aumentos no gasto de energia.
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Britan

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Mensagem Dom Mai 14, 2006 7:31 pm

Gustavo Latorre escreveu:Suecia... que inveja...


Não tenhas dúvidas, os Paises do Norte da Europa são qualquer coisa e são esses Paises o cume máximo da civilização no Mundo a funcionar bem
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Registrado em: Ter Out 28, 2003 10:56 am

Localização: Florianopolis SC Brasil

Mensagem Seg Mai 15, 2006 11:27 am

...e tem varias louras de olhos azuis com 1,80m de altura...
:cry:
(Mãe, eu quero ir pra laáááááááá!!!!!!!!!!!) :P
NÃO HÁ DEUS. NEM DESTINO. NEM LIMITE.Imagem SEM FÉ, SOU LIVRE.
Se um Homem começar em certezas / ele terminará em dúvidas.
Mas se ele se contentar em começar com dúvidas / ele deve terminar em acertos (Francis Bacon)
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