Especialistas brasileiros afirmam: vídeo de UFO da KGB é falso (parte2)
Enviada por: Redação Vigília redacao@vigilia.com.br
Data: 31/05/1999 - Horário: 14h47min
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| Abertura do filme: "Segredo Soviético", diz o lettering / Latas de filme 35 mm acondicionando filmes de 16mm? / Filme tipo "A2": espessura de 16 mm (reprodução). |
A Revista Vigília consultou diversos especialistas para avaliarem a filmagem e, como Hefman, também eles desacreditaram o documentário. Numa reunião em São Paulo, durante várias horas de tratamento e análise das imagens foram levantados diversos pontos desfavoráveis à veracidade dos originais da KGB. Na sala de edição da Produtora Companhia Brasil de Cinema e Televisão estavam presentes, além da Equipe Vigília, os colaboradores Geraldo Santos, produtor de cinema há mais de 20 anos, com vasta experiência no campo de direção, gravação e edição para cinema e televisão, o editor e finalizador em vídeo Carlos Alberto Piovacari, o chefe do setor de balões do Instituto Nacionais de Pesquisas Espaciais (INPE) em São José dos Campos, Ricardo Varela e o jornalista Eduardo Castor, que já foi correspondente em Moscou.
Uma cópia em vídeo VHS foi fornecida por Ricardo Varela, que foi contatado inicialmente por uma equipe da TV Bandeirantes (a emissora comprou os direitos de exibição do documentário no Brasil, mas ainda não há previsão para ir ao ar). O material foi digitalizado para a seleção de frames. No total, as imagens do alegado UFO e da suposta autópsia perfazem apenas cerca de 2 minutos e 30 segundos. Muitos trechos foram repetidos mais de uma vez e, para um filme cujo original supostamente estaria em poder da TNT, o produtor Geraldo Santos e o editor e finalizador em vídeo Carlos Alberto Piovacari, suspeitaram da quantidade de efeitos típicos de produção da era digital. “Sobre um material inicialmente gravado em filme 16 milímetros, cuja qualidade é melhor que a de tomadas em formatos digitais como Beta Cam e Super8, isso é muito suspeito”, avaliou Geraldo Santos. O jornalista Eduardo Castor traduziu os textos de introdução nos primeiros quadros do filme original. Trata-se do que os especialistas denominam “ponta”, onde são inseridos logotipos e, normalmente, escritas à mão (lettering), informações para cadastro e armazenagem de filmes. Sua constatação foi a primeira a causar espanto. Junto a um logotipo da KGB aparece o texto “Segredo Soviético”. “Só pode ser uma piada do produtor! Quem na KGB poderia dar um título desses? O certo seria relatório número tal... Operação Midget... ou seja lá o nome que fosse... Jamais “segredo soviético”. Esse filme era para ser instrumento de trabalho deles... Não era para diversão”, comentou Geraldo Santos.
A milimetragem do filme também causou estranheza. Eles notaram que apesar das latas serem de filmes de 35 mm, o filme analisado no documentário é de 16 mm. Mesmo assim, incoerentemente, tanto os rótulos das latas quanto a borda do filme contêm a inscrição, em língua russa, “tipo A2”. Os especialistas notaram que informações pertinentes à classificação do documentário e logotipos da KGB deveriam aparecer no rótulo, ao invés de ser mantido o original com a tipagem do filme.
Geraldo afirmou que a qualidade das imagens, muito boa, não é coerente com um filme de 30 anos. Não há ‘flick’ (tremor próprio de filmes de 16mm ou 35mm) nem os fios, pontos pretos e riscos horizontais e verticais causados pelo atrito do filme com o projetor que os cinegrafistas chamam de ‘stretch’ e ‘streak’. “Um absurdo para um filme que, se foi armazenado em latas de 35mm, sequer estava sendo guardado em condições ideais para sua preservação”, ressaltou o produtor.
A questão da ausência de “flick” e de “streak” encheu de dúvidas a mente dos especialistas. Mas sua experiência começou a apontar respostas. Primeiro, conforme Geraldo Santos, as tomadas parecem ser feitas com uma terceira câmera, que não é vista no documentário. Depois, o comportamento dos cinegrafistas, dando menos de 5 segundos para a estabilização das tomadas, indica que não estavam filmando de fato. “As câmeras de cinema têm inércia. Ainda mais naquela época. É por isso que, quando se vê uma tomada sendo feita, o diretor geralmente diz a conhecida frase ‘luz, câmera, ação!’. Isso, na verdade, é uma tomada de tempo para a estabilização da cor e iluminação nos quadros iniciais do filme. Normalmente, perde-se os cinco ou seis primeiros quadros, que são mais lentos, queimam e saem com superexposição à luz”, explicou Geraldo.
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| Filme antigo autêntico: presença de trepidação, sujeira e riscos; flick e streak, apontados em amarelo (reprodução) |
Dois dados importantes foram observados: em determinado momento o cinegrafista realiza um zoom. Naquela época, entretanto, as câmeras não tinham um dispositivo chamado “view finder”, ou seja, uma imagem real do que estava sendo captado pela lente. Assim sendo, o zoom era feito manualmente, através da medição da distância até o objeto focalizado, não havendo muita precisão sem que a distância exata fosse conhecida (num sistema denominado paralaxe). Apesar disso, o zoom efetuado pelo cinegrafista durante a apresentação dos destroços é corrigido 3 vezes. Segundo os especialistas, só faz isso quem dispõe de “view finder”, ou seja, numa câmera moderna (o “view finder” existe há menos de 15 anos). “A isso chamamos ‘ciscar’, que é procurar o melhor foco. E só faz isso quem tem no visor a imagem exata que está sendo captada pela lente da câmera, o que é impossível no sistema de paralaxe”, explicou o editor de imagens Carlos Piovacari.
Câmera moderna e ausência de fotógrafo
O zoom, a ausência de ‘strash’ e de ‘flick’ já indicam que a filmagem não pode ter sido feita há 30 anos. Mas além disso, os especialistas observaram outro detalhe: em dois momentos da filmagem, aparece a câmera capta parte de sua própria sombra e do cinegrafista. O primeiro momento ocorre quando o cinegrafista está sobre o caminhão, tendo o sol às suas costas e, o segundo, já no chão, com a sombra se projetando sobre o objeto que está sendo filmado. Nestes dois momentos percebe-se claramente o ‘view finder’ e, mais ainda, a frente quadrada, com o que os cinegrafistas chamam de “porta-filtro”(click aqui para ver a animação gif [300kb] da seqüência). Assim, Geraldo Santos não teve dúvidas em afirmar: “trata-se de uma câmera Arri-Flex, de fabricação recente. As câmeras portadas pelos supostos cinegrafistas mostrados no vídeo não estão filmando de fato. Eles são meros figurantes”.
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| Diversas inconsistências no documentário: técnicas modernas, materiais terrestres e uma sombra entregando a câmera verdadeira (cortesia de Ricardo Varela). |
O especialista brasileiro do INPE, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, Ricardo Varela, atentou para outro fato suspeito: no momento do zoom, com detalhes dos destroços, ele identificou uma série de artefatos terrestres, como conectores tipo DB-25 (conectores de pinos usados em computadores), bastidores de ferro e suportes. Varela, que é chefe do setor de balões meteorológicos do INPE, ressaltou: “Nós utilizamos muito esses materiais em balões de testes”.
Varela fez ainda outro observação no mínimo curiosa. “É estranho que durante todo o documentário, a ênfase do cinegrafista seja dada não ao objeto supostamente acidentado, mas à movimentação da tropa. Trata-se de um comportamento incompatível com os procedimentos de resgate de aeronaves, cuja análise se baseia na posição exata dos destroços”, disse. “Além disso, será que a KGB não tinha um fotógrafo profissional? No filme não se vê ninguém tirando fotos. Num caso de desastre aéreo, mais até que o vídeo, as fotos são fundamentais na determinação das causas e circunstâncias do acidente”, finalizou o especialista.
Ao que tudo indica, a prova definitiva e inconteste de que não estamos sós no Universo, tão esperada pelos ufólogos do mundo todo, ainda vai ter de esperar mais um pouco...
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