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Fé, Ciência e Ufologia

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Existe pelo menos uma diferença primária e clara entre as questões relativas à Fé e as pertinentes à Ciência. É a prova. A Fé pressupõe que determinados valores sejam assumidos como verdadeiros sem provas, com base numa experiência subjetiva. Improvável, até para que permaneça um mistério inatingível. Por vezes, está mesmo mais ligada à tradição transmitida de geração para geração – e neste processo está sempre incorporando novos valores e interpretações – que exatamente a uma experiência, tenha essa a natureza que for.
Ao contrário, as questões pertinentes à Ciência, em geral, prendem-se à prova. A Ciência vislumbrará um fenômeno, um conceito, uma afirmação a partir do momento que tiver o suporte de um fato concreto, mensurável, palpável, tangível.
Não raro, ambas – Ciência e Fé – debruçam-se sobre o mesmo fenômeno, mas com olhos diferentes. Um exemplo são as curas milagrosas, encontradas nas mais diversas tradições religiosas e espiritualistas. Se entre os adeptos da Fé essas curas serão encaradas como uma demonstração da assistência sobrenatural, pelos praticantes da Ciência serão enquadradas dentro de intrincadas estatísticas, baseadas em algum conhecimento já adquirido sobre a interferência do “efeito placebo” (pessoas que se curam tomando falsos remédios), da probabilidade de auto-cura apenas pela ação natural do próprio sistema imunológico ou ainda as possibilidades de uma doença somática, fisicamente manifestada.
No meio fio entre as questões da Fé e da Ciência, encontra-se a Ufologia. Cientistas mais céticos certamente torcem o nariz para essa assertiva, achando que é apenas uma questão de fé. Ao contrário, ufológos e ufófilos mais fervorosos vão protestar argumentando que já é fato comprovado a visitação alienígena ao nosso pequeno e belo planeta Terra.
De fato, em ambos os casos, o exercício é erroneamente minimalista. Por um lado, a subjetividade humana mostra quão frágeis e falíveis são as nossas lembranças. Assim também o são os nossos sentidos, na captação da realidade. A mente humana, imaginativa e criativa, é capaz das mais inacreditáveis confabulações.
Por outro lado, querer creditar aos milhares de avistamentos de objetos voadores não identificados – muitos registrados em vídeo, fotografias e telas de radar, ou ainda relatados por observadores experientes – a qualidade de alucinações ou erros de interpretação, é fechar os olhos a uma realidade que não quer cessar.
Alegações fantásticas requerem provas fantásticas. Esse é um conceito bastante simples e de fundamental importância. Cada vez que alguém alardeia aos quatro ventos manter contatos com seres extraterrestres, determinar “quando eles vão chegar” ou ter poderes mágicos “delegados” por “eles”, esbarra neste conceito. E o desconhecimento ajuda. Filmagens falsas, manipulação e má fé na demonstração de fenômenos naturais não raro são apresentados como “provas” dessa afirmação. Aceitam os que, de mente aberta para crer, usam quase o mesmo senso crítico que empregariam em qualquer outra questão de fé.
No entanto, não é uma alegação fantástica dizer que o número de pilotos de avião que observaram objetos voadores não identificados é muito grande, mesmo estando eles preparados para identificarem quase tudo nos céus. Não é nada além de constatação dizer que os radares mundo afora estão captando ecos esquisitos, por vezes incompatíveis com qualquer anomalia magnética ou aeronave convencional. Assim como não é ilógico afirmar que há evidências bem estranhas em filmagens e fotografias que mostram, sem montagens ou fraudes, fenômenos bastante interessantes.
Também nestes casos, no âmbito científico, o desconhecimento – ou o conhecimento apenas parcial – dos dados envolvidos ajuda na formulação precipitada de opiniões contrárias até mesmo ao emprego de tempo na análise dos episódios.
A simples constatação de que milhares e milhares de pessoas estão expondo suas vidas ao ridículo ao darem seu testemunho de algo que gostariam de esquecer ou não ter visto, já é uma evidência de que o fato está colocado; é real e, no mínimo, merecedor de uma análise sociológica. Mas não é só: o interesse oficial mostrado através de programas e relatórios no mundo todo, bem como opiniões governamentais ou independentes sobre a necessidade de atenção com os chamados UFOs (sejam eles o que forem) são outra evidência indireta de que o mundo ainda é, sim, um lugar assombrado.
Talvez nossos próprios demônios. Quem sabe, fenômenos naturais desconhecidos que interferem (sim!) na vida normal das pessoas. Ou mesmo alienígenas, com intenções que a imaginação humana só pode, por enquanto, especular. Mas pergunta existe. E, pelas evidências que apresenta, poderia, claro, estar nos domínios da Ciência buscar a resposta.

Boa navegação!

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