Home Opinião Em Ufologia, se é preciso crer em algo, que seja no ceticismo!

Em Ufologia, se é preciso crer em algo, que seja no ceticismo!

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À primeira vista, talvez este pareça um título arrogante. Bom, esta não é a intenção. É mais um manifesto de atitude investigativa, mas precisaremos de um editorial todo para explicar 🙂
O início do ano 2000 vem trazendo muitas revelações importantes para aqueles que buscam, incansavelmente, a verdade. Não, não se tratam de revelações espirituais ou a concretização de profecias. Ao contrário, o chamado à realidade é a revelação mais marcante desse período, ao qual a mídia resolveu arbitrariamente denominar “novo milênio”, mais por convenção comercial oportunista que por equívoco de cálculo (já que, mesmo para os cristãos, que usam essa convenção, o início do terceiro milênio só se dará em 1 de janeiro de 2001).
No editorial anterior, já brincávamos, em tom de alerta, com a “profecia” (por que não?) que fizéramos às vésperas da passagem de ano, de que o mundo não acabaria. Não foi um feito paranormal: foi apenas a constatação lógica de que o tempo é uma convenção humana arbitrária. Cada povo, cada cultura, tem sua própria forma de marcar a contagem dos anos, e 2000 só é 2000 para culturas cristãs.
De lá para cá, tivemos muitas novidades. Em horário nobre, a TV Globo abriu espaço para as teorias desmistificadoras de Padre Quevedo, estudioso conhecido por sua aversão a feitos ditos sobrenaturais. Embora algumas de suas idéias pareçam mais fantásticas e improváveis do que os próprios fenômenos que explica, já serviu para acender uma centelha de desconfiança saudável para muita gente.
Mais ainda, um auto-intitulado paranormal, o Sr. Urandir Fernandes de Oliveira –que faz fortuna com palestras, apresentações e excursões à sua fazenda no Mato Grosso do Sul enquanto apregoa ter poderes de cura dados por supostos extraterrestres– foi desafiado por ufólogos de renome e está sendo alvo de uma das mais amplas contestações já vistas na grande imprensa nos últimos anos. Como sempre acontece nestes casos, nem o desafio –em condições controladas, claro– é aceito, nem as provas contundentes de suas realizações são mostradas.
Esse é um caso extremo de coisas fantásticas que nos tentam durante toda a vida. Quem já não viu alguém apresentando na TV a filmagem do que seria um legítimo UFO, tendo a certeza de que bem poderia ser um avião? Ou ouviu aquela linda mensagem do que seria um extraterrestre, ao mesmo tempo em que se perguntava “puxa, isso soa tão terrestre…”
Essa não foi a primeira vez que um suposto paranormal foi colocado à prova, particularmente alguém que tenta misturar Ufologia com assuntos espiritualísticos e/ou sobrenaturais. A décadas, a fundação Randi, criada por um mágico ranzinza chamado James Randi, promete um prêmio milionário a quem provar, definitivamente, ter um dom paranormal. Qualquer um. Ninguém ganhou ainda, e é estranho não haver filas de adivinhadores, profetas ou entortadores de talheres em sua porta –especialmente os que cobram consultas– para ganhar a volumosa quantia que hoje ultrapassa US$ 1 milhão. Claro, na fundação eles conhecem tudo sobre truques de mágica e ciência…
É difícil dizer até o que é mais contraproducente. Dar a chance de tentar provar ou simplesmente ignorar. O fato é que a Ufologia, infelizmente, é um campo fértil para a atitude do “querer aceitar”. Não se trata apenas de “querer acreditar”, o que já é uma atitude carregada de riscos. Mesmo que uma farsa seja completamente desmascarada, sempre haverá aqueles que insistem em não enxergar a realidade, amplificando o poder do mito. Bom, justiça seja feita: isso não existe apenas na Ufologia. Qualquer ramo do pensamento, até da maior ortodoxia científica, deixará lacunas para quem está predisposto a aceitar a primeira idéia descabida que o fizer sentir-se melhor.
O problema é que, tanto no caso da filmagem na TV, do paranormal ou da suposta mensagem de um alienígena, à sua volta formam-se legiões de seguidores capazes de atos impensados, de arruinar suas economias ou sonhos em busca do que seria um sentido para a vida.
O ser humano tem emoções, processos biológicos e psíquicos ainda misteriosos para a ciência. Talvez um dia nosso conhecimento atinja um ponto onde seja possível explicar essa necessidade de crer em algo, de sentir-se fazendo parte de um todo cósmico que seja complexo e engendrado em “forças”, “energias”. Como se a própria existência, a própria vida, a consciência, a natureza ou o fato de o sol brilhar já não fossem por si só fenômenos maravilhosos. Ah, como é chata a realidade…
“Puxa, eles falam sobre Ufologia mas não acreditam no que falam!”, devem estar se dizendo alguns. Essa pergunta, certamente, é recorrente na mente das pessoas que buscam a verdade. Aqui, já nos fizemos essa pergunta e a resposta que surge naturalmente é que, em Ufologia, o termo acreditar não se aplica. Filtradas as influências testemunhais e culturais, há um fenômeno concreto, mensurável, palpável, que pode ser filmado, fotografado, registrado em radar, que deixa rastro físico, marcas ou que permeia o relato de observadores criteriosos. O que não está provado é que tenha realmente origem extraterrestre, embora esta possa parecer a solução menos ilógica algumas vezes.
Ocorre que há uma parcela da fenomenologia que faz curvar o melhor especialista em cada área da ciência convencional [consulte sempre um especialista!!! :-)]. Esse é o fenômeno OVNI legítimo, na acepção literal da palavra: objeto voador não identificado. E é na busca da verdade para esse complicado fenômeno que reside a verdadeira atitude investigativa, onde o “acreditar” não se aplica. E se é preciso acreditar em algo, que seja então na atitude cética, como legítima libertadora dos dogmas religiosos e culturais. Mesmo os “dogmas ufológicos”, por que não?. É, talvez, o modo mais sensato de manter-se a mente aberta para admitir que as coisas podem não ser como gostaríamos que elas fossem.

Boa navegação!

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