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Campinas debate Ufologia em meio a onda de avistamentos

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Vivendo um momento de freqüentes relatos de avistamentos de Objetos Voadores Não Identificados, a cidade de Campinas, no interior paulista, sediou o Congresso Internacional de Ufologia, realizado de 16 a 18 de março, no Hotel Fazenda Solar das Andorinhas.

Localizado numa isolada – e bela – região, no Km 121 da rodovia Campinas–Mogi Mirim, o hotel com arquitetura colonial e instalações de época preservadas proporcionou o cenário que ajudou a ressaltar a importância histórica do evento, o primeiro do gênero realizado na na metrópole tecnológica do interior Paulista.

Durante 3 dias, estudiosos da Ufologia, convidados internacionais, interessados, curiosos, supostos contatados, e até gente famosa, como a cantora Elba Ramalho, trocaram experiências e impressões sobre o que consideram ser autênticas manifestações do fenômeno UFO.

No primeiro dia, problemas com a chegada de congressistas e acertos de última hora acabaram atrasando o início das palestras, previsto para as 17 horas. Como resultado, duas das palestras agendadas precisaram ser transferidas para o dia seguinte.

Após as exposições de Vandeley D’Agostino, do grupo de pesquisas EVEU e do pesquisador de chupa-cabras Carlos Machado, aparentemente ninguém se importou muito de ficar acordado até depois da 1 hora da madrugada, na palestra de Ernesto Bono, que transformou-se quase num bate-papo com os participantes.

O dia da conspiração oficial

Com o remanejamento das palestras, o sábado acabou se transformando numa espécie de dia das revelações oficiais. Depois das palestras sobre a casuística do interior de São Paulo, por integrantes do grupo UFO-Gênesis (de Piracicaba) e sobre abduções com o hipnólogo Mário Rangel, o engenheiro eletricista Claudeir Covo falou sobre os episódios que marcaram a noite de 19 de maio de 1986, quando 21 objetos foram perseguidos pela Força Aérea Brasileira no espaço aéreo entre os estados do Rio e São Paulo. A seguir, o também engenheiro Ricardo Varela, funcionário ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), apresentou uma série de fotografias, análises e depoimentos de civis e militares – inclusive aviadores – mostrando evidências concretas da manifestação de objetos voadores não identificados nos céus do Brasil.

A convite de Ricardo Varela, e complementando sua exposição, o editor da Revista Vigília, Jeferson Martinho, apresentou aos presentes uma nova e inédita evidência do interesse oficial pelo fenômeno OVNI e de sua existência concreta. Trata-se do ofício CHF/S-0222, originário do IV Comar (Comando Aéreo Regional, em São Paulo), onde o chefe do serviço regional de proteção ao vôo de São Paulo comunica ao NUCONDABRA (Núcleo do Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro, atual COMDABRA) a ocorrência de registros no radar da atividade de OVNIs nos céus da região de Americana (SP). Anexa está também a transcrição – primeira obtida pelos ufólogos – de um diálogo entre um controlador de vôo e o piloto de uma aeronave civil no momento exato em que a tripulação da aeronave tinha contato visual com o objeto, que era captado nos radares em terra.

As revelações relativas aos segredos governamentais continuaram sendo temas centrais das palestras de Rafael Cury, sobre “Majestic 12” (suposto grupo militar secreto dos EUA detentor de fantásticas informações), e do jornalista Aldo Novak, o principal especialista brasileiro sobre o polêmico “Echelon”, um sistema de espionagem high-tech de alcance global.

Continuando a abordagem do ponto de vista das evidências e registros físicos dos fenômenos ufológicos, aconteceu também no sábado a palestra das argentinas Silvia e Andrea Simondini, respectivamente mãe e filha. Elas apresentaram uma filmagem e fotografias obtidas durante os últimos 10 anos na cidade de La Victória, na província Entre Rios. Junto com outras testemunhas oculares, as argentinas conseguiram fantásticas imagens de bolas de luz intensas entrando e saindo do rio local, “Arroyo Manso”. “Uma das hipóteses é de que há uma base ali”, afirmou Silvia.

Polêmica antiga

O terceiro e último dia do congresso teve desdobramentos polêmicos logo no início, após as palestras dos pesquisadores Marco Petit e Alberto Romero. Desde o lançamento do livro de Romero, com o sugestivo nome de “Verdades que incomodam”, eles discordam da conclusão acerca do que realmente causou a morte do militar Uyrangê Hollanda, há 3 anos.

Coronel da Força Aérea Brasileira (FAB), Hollanda estarreceu os ufólogos ao revelar ao mundo todas as suas experiências no comando da secreta Operação Prato, esforço para a coleta de dados sobre os Ovnis na Amazônia levado a cabo pela FAB no final da década de 70. Petit, que apurou no local todo o drama do coronel e seus problemas pessoais, garante ter sido um suicídio. Romero, observador distante, em seu livro levanta suspeitas de conspiração e queima de arquivo.

Pouco depois que Romero deixou o hotel, momento em que Petit também já havia se retirado do Congresso, foram distribuídas cópias de uma carta que teria sido enviada à para Revista UFO por um advogado da Bahia – que não estava presente – criticando as conclusões do pesquisador Petit. A defesa do ausente foi feita por Rafael Cury, que durante o todo o evento todo assumiu o papel de apresentador dos palestrantes.

O dia continuou com as palestras de Francisco Varanda, Edison Boaventura e o suposto abduzido Armando Valdés, ex-cabo do exército do Chile, mas o momento mais aguardado mesmo foi a exposição da cantora Elba Ramalho. A ilustre presença motivou até mesmo a interrupção da palestra de Varanda, devido aos compromissos posteriores da cantora.

Ashtar Sheran e Santuário de Maria

Elba falou com a Revista Vigília sobre seu envolvimento com a Ufologia, mostrando uma sincrética mistura de conceitos. “Eu sou uma curiosa, na verdade. Acho que sou como metade da população do planeta terra que já despertou a consciência de que não estamos sós, que existem outras vidas, da mesma forma como eu me interesso por astrologia e outra série de coisas que envolvem a fenomenologia e a paranormalidade”, disse, lembrando ser espírita kardecista.

Depois de revelar, em entrevista, ter vivenciado experiências próximas com discos-voadores, afirmou que há alguns anos vem aprofundando seus conhecimentos a respeito das supostas aparições da Virgem Maria. “E o que eu descobri nas mensagens da Virgem Maria em mais de 400 lugares é que todas as mensagens contêm advertências aos seres humanos para que eles possam se prevenir contra as abduções”, disse.

Essa relação mais intensa com um mundo que mistura espiritualidade e Ufologia começou, disse Elba, há um ano, quando entrou em um “Santuário da Virgem Maria, de muita luz, muita potência e muita fenomenologia, pela forma como elas canalizam, não só a Virgem Maria, porque são videntes da Virgem Maria, mas como elas canalizam Ashtar Sheran e Ashtar El”. Os dois últimos citados pela cantora seriam extraterrestres que, para a corrente mística da Ufologia, representam uma espécie confederação intergalática com o objetivo de salvar a humanidade. Segundo ela, teria partido deles uma mensagem para que a cantora fosse ao congresso.

Óleo negro e implantes

Elba diz que no Santuário assistiu “a mais de 15 retiradas de chips”, referindo-se à prática da extração do que seriam implantes colocados nos humanos por ETs de intenções malévolas. Uma dessas extrações teria sido feita no próprio filho da cantora. “Esses chips foram colocados para uma preparação do organismo para que as pessoas pudessem receber um tipo de substância até agora chamada pelos seres de óleo negro” e continuou: “uma espécie de um óleo preto, que é uma bactéria, que mina tua energia e te provoca doenças”, afirmou.

Parece até uma estória de ficção; aliás, é o mesmo artifício usado pelos ETs no seriado televisivo Arquivo-X. E a incógnita deve continuar, já que, segundo Elba, Ashtar Sheran e Ashtar El ainda “não autorizaram” a análise química da substância. “A gente nem sabe quando eles vão liberar que elas [as videntes do Santuário] mandem para análise”, disse.
Funcionário da Unicamp defende a universidade
A palestra da cantora, que teve início após uma rápida sessão de autógrafos sobre pôsteres do que seria uma imagem de Ashtar Sheran, foi uma das que mais exigiu da credulidade dos participantes.
A citação a supostas análises de “chips” e laudos feitos por cientistas da Unicamp – eles estavam numa pasta apresentada fechada por Elba Ramalho – ao contrário do que se poderia esperar, não gerou acirrada disputa de céticos pesquisadores em busca de provas. A cantora se despediu, e ninguém viu os laudos.
A reação não demoraria, no entanto, por parte de defensores da Unicamp. Um funcionário pediu a palavra para dizer que a universidade é uma instituição aberta, e segundo ele dificilmente os segredos a ela creditados durante o Congresso seriam tão bem guardados a ponto de nada chegar com estardalhaço à imprensa.
Coincidentemente, através de e-mail no dia seguinte, em resposta a um resumo do Congresso postado a um grupo de pesquisadores pelo hipnólogo Mário Rangel, Elba esclareceu: “Na verdade a Unicamp analisou os fenômenos que ocorrem no Santuário, águas, mel e outras materializações. Quem analisou os chips foram cientistas da Universidade de São Carlos, por amizade e interesses particulares pelo assunto. É apenas para que fique tudo claro e correto, que estou esclarecendo e pedindo desculpas pela falha”.
Encerramento com chave de ouro: avistamento na volta
Se até a conclusão das palestras já era certo que o Congresso de Campinas havia sido uma eclética mistura de tendências da Ufologia, o desfecho não poderia se dar de forma mais peculiar: vários participantes, na viagem de volta, puderam acompanhar as exibições de misteriosas luzes nos céus.
Na estrada, Edson Boaventura Júnior, presidente do Grupo Ufológico do Guarujá (GUG), pôde inclusive filmar um objeto utilizando a câmera do outro ocupante do carro, o também pesquisador de São Paulo Rodolfo Heltai. Quatro pessoas e um casal que fazia o percurso logo atrás em outro carro puderam acompanhar, por aproximadamente 40 minutos, as evoluções de uma luz de grande intensidade que às vezes apagava e parecia liberar objetos menores.
“Curioso é que eu apontei o laser [um apontador laser] para o objeto e sempre coincidia dele apagar quando o laser o atingia”, disse Boaventura, explicando ter usado uma cerca como mira. Além deles, o pesquisador Wallacy Albino também observou rapidamente a luz, mas não parou o carro. Na mesma noite, a Revista Vigília recebeu e-mail de um morador de Campinas informando dois novos relatos, nos bairros campineiros de Chácara Recreio e Chácara Gramado. O fenômeno teria ocorrido por volta das 22h30.
O dono da fita, Rodolfo Heltai, já encaminhou as imagens para a averiguação do pesquisador Claudeir Covo. A análise ainda não está concluída, mas tanto Heltai quanto Boaventura, experientes observadores de vigílias ufológicas, garantem que não se tratava de um balão.
Quem sabe a presença insólita possa constituir um argumento a mais para o organizador congresso, Dalton Corazzari Desanti, apresentar aos candidatos a patrocinadores numa próxima oportunidade, já que, segundo revelou à Vigília, “o empresariado de Campinas ainda não está aberto à Ufologia, e mostrou certa resistência em patrocinar um evento como esse, inédito na região”.

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